O Estrangeiro
(escrito em 11 de agosto de 2011, em Barbalha-Ceará, enquanto esperava a passagem de som)
Um estrangeiro vagava a buscar alguma graça,
Entre o exílio e o retorno,entre o massacre e o milagre.
Sorria de tristeza sussurrando palavras soltas…
Exilado,estrangeiro,só
Enquanto isso,o tempo se curvava
Diante de sua saudade
Paralisando seus músculos e ossos
Com a sua terrível falta
Rogava o estrangeiro por uma pequena benção
Diante daquele deserto de esperanças,diante da face fenecida da eternidade.
Olhava para o seu reflexo na água…
O espelho daquela calmaria imprimia em sua repetição,todo o frio do vazio em sua alma.
Eternidade é uma palavra tosca
Enegrecida pela efervescência ingênua da esperança
Mistério,aniquilação,retorno
O sangue furioso jorra dos penhascos enquanto todas as alturas escapam da gravidade
Me ajudem a rasgar essa vida
Pra fazer outra de seus farrapos
Rastros de maré,colapso da percepção
As portas se fecham para todas as profecias de botequim
Uma noiva pendia do cadafalso,o noivo chorava na fronteira,seu mundo todo de luto
E entre uma dança e um desencontro,sem mais nada a perder
O estrangeiro sorria de tristeza,brandamente em seu limbo,
Diante do fim.






